O poder das pessoas nas redes sociais

20:25


Nesses dois últimos meses, fomos bombardeados de notícias ruins. As redes sociais fervem mas não por motivos bons. Vejo jovens falando que perderam a fé na humanidade. Leio comentários absurdos de pessoas perto de mim. Assim, como leio coisas inspiradoras. Então, cansada de apenas compartilhar escritos dos outros, resolvi gritar pro mundo o que eu penso.

Estupro coletivo é uma realidade no Brasil há tempos. Sempre houve homens que se acham no direito de usar o corpo da mulher, sem seu consentimento. Mas ninguém falava sobre isso. As lutas feministas são desconsideradas todos os dias. Todo mundo prefere ficar compartilhando frases com autoria duvidosa e boatos políticos sem fundamentação do que realmente usar as redes sociais para falar sobre algo que importa. Não que eu desconsidere as good vibes dos pensamentos do dia, ou a preocupação com política, porém há modos mais produtivos de usar seu tempo.

Então eis que surge o horrendo caso que o Brasil (e boa parte do mundo) discutiu nas últimas semanas: uma jovem, de 16 anos, estuprada por 33 homens. O caso repercutiu porque um vídeo foi postado (pessoalmente, não tive coragem de ver, talvez explique os motivos depois mas tudo se resume em pânico). E, em meio a todo esse horror, enxerguei esperança: pessoas que eu nem tinha noção que se importavam com causas sociais começaram a se pronunciar. Muitas simplesmente compartilhando algo de um coletivo feminista. Outras, se rendendo a textões. Foi assim que meu coração se aqueceu ao ver o verdadeiro potencial dos novos meios de comunicação surgir: o poder de mudar mentalidades.

É claro, ainda há pessoas na minha timeline que curtem o Bolsonaro, que acreditam que estupro é culpa da vítima que provoca. Mas, acreditem em mim quando eu digo, eu nem me importo com elas mais. Porque, depois de uma tragédia, de um trauma na sociedade, vi a solidariedade ressurgir. Vi gente da minha idade questionar o machismo, a cultura do estupro. Vi pessoas se enxergando como fatores essenciais para mudança.

Me chamem de otimista, de ingênua, mas talvez essa seja o traço que eu mais procuro mostrar nos meus artigos de opinião aqui no blog. Em meio a tantos temas a serem discutidos, a tantas problematizações a serem feitas, enxergo o final do túnel: nele há não somente luz, mas também pessoas revolucionando.

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