Sobre dar voz para quem é silenciado

22:08


Hoje mesmo, vagando no mundo maravilhoso e ao mesmo tempo perturbador que é a internet, li um texto sobre o Dia do Jornalista, que, no caso, foi ontem (7). Eu mesma não fiz texto nenhum, não porque não me considero digna mas porque quando finalmente tive tempo, já estava exausta mentalmente. Então, como é melhor tarde do que nunca, aqui vamos nós.

Eu tenho essa certeza no meu coração desde os 12 anos, que foi a época que eu conheci o mundo fangirl em redes sociais e comecei a ter mais contato com a profissão jornalista, afinal, eram os benditos jornalistas que me davam as informações sobre meus ídolos. 

Tudo começou assim, sabe? Eu queria saber sobre shows e entrevistar aquela cantora maravilhosa, queria viajar para várias cidades em busca de matérias para Vogue, Cosmopolitan, Vanity Fair e tantas outras revistas que tinham estampadas todo mês em sua capa uma atriz, cantora ou modelo incrível, que seguia todos os padrões de beleza possíveis. Assumo, ainda tenho essa vontadezinha lá no fundo do meu coração.

Mas amadureci. Deixei os fãs-clubes, os Tumblrs e conheci um novo viés do jornalismo. Deixei a Capricho (com muita tristeza, na época) e assinei a Superinteressante. Conheci o feminismo e muitas outras lutas de minorias desprivilegiadas. Conheci Malala. Conheci as TED Talks. Conheci o prazer de viajar.

No meio disso tudo, encaixei o jornalismo. Encaixei o que eu queria fazer pro resto da vida: morar em vários países, falar várias línguas, escrever sobre meus ideais e o mais importante, dar voz para quem é silenciado diariamente. 

Mas do que se trata isso? O que é dar voz para alguém?

Dar voz é noticiar os atentados terroristas que atingem o Oriente Médio todos os dias. Dar voz é falar sobre a crise dos refugiados. Dar voz é falar sobre a luta por educação que milhões de crianças enfrentam a cada momento.

E é isso que quero fazer. Porque eu não consigo simplesmente ficar sentada enquanto vejo pessoas sofrendo. Não consigo não investigar os fatos. Não consigo não escrever sobre isso. Não consigo não ser jornalista 24h por dia.

Então, por isso, justifico minha escolha: não me importa se não vou conseguir ficar em um lugar só pro resto da vida, não me importa se a profissão não recebe seu devido valor. Porque quando se é apaixonado por algo, todo empecilho é um desafio, todo tropeço é um aprendizado. 

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