"Moça, faz da tua dor a tua luta"

20:17



Andando na Paulista no meio de Janeiro, acabei me deparando com essa frase, escrita em cima de uma imagem bonitinha e perdida em meio à vários outros panfletos. Me interessei por seu viés feminista e guardei as palavras. Primeiramente na cabeça, depois no coração.

Por que marcá-las no coração, afinal?

Porque tem dias que você se sente tão mal em sua própria pele, em seu próprio corpo. Os dias em que te assediam na rua.

Porque tem dias que você se sente extremamente oprimida e devastada pelo patriarcado. Os dias em que um professor faz uma "piada" machista e até mesmo as mulheres riem.

Porque tem dias que você se irrita com tudo aquilo que te é privado. Como sua liberdade, seu direito sobre o próprio corpo. Sua voz. Os dias em que te dizem para se comportar como uma moça ou que insistem em dizer que você precisa arranjar um marido.

Mas há também aquele dia fatídico, o primeiro de muitos que virão, que você resolve transformar toda a angústia presa em um movimento, em arte. Seja por desenhos, charges, textos, fotos.

Você levanta bandeira, escreve textões, argumentas, desconstrói, empodera. As mina, claro. Porque às vezes, isso é tudo que uma garota de 12 anos ou de 40 precisam para levantar a voz e lutar pelo que é seu por direito: o respeito.

Nós, mulheres, diariamente transformamos nossa dor em nossa luta. Muitas vezes, sem perceber. Essa luta hoje tem nome: feminismo. Não precisa ter medo da palavra não, ela só morde se você tentar oprimi-la.

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