Educar garotas pode mudar o mundo

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Durante tardes de tédio, explorando as profundezas do Netflix, encontrei um documentário. Ou ele me encontrou, não sei. 




A produção, lançada em 2013, conta a história de nove garotas ao redor do mundo que enfrentam diversos desafios para ter acesso à educação. Elas foram acompanhadas por cineastas durante um tempo e o resultado, vemos nesse incrível documentário.

A realidade que elas enfrentam todos os dias não é exclusividade de países extremamente desfavorecidos. No Brasil, mais de 3,8 milhões de crianças e adolescente entre 4 e 17 anos estão fora da escola, segundo dados do IBGE de 2010. É estranho pensar que nosso país não dá a devida atenção para esse fato. Porque, se há uma coisa que pode mudar o mundo, esta coisa é a educação.

No documentário, no intervalo entre uma história e outra, temos contato com várias informações sobre como a educação de garotas pode mudar todo o cenário mundial. Como é importante que meninas sejam educadas. Também são apresentados vários fatores que impedem-nas de frequentar a escola: desde a falta de condição até o preconceito por conta do gênero.

É importante lembrar que todas elas são de regiões pobres e tem uma cultura muito diferente da nossa. Para realmente enxergar as condições de cada uma das garotas, é preciso se despir de todo o preconceito que ronda nossa ideologia ocidental, sobretudo acima de religiões. Percebemos isso claramente na história de Amina, do Afeganistão, que não pôde aparecer porque havia riscos de que algum parente do sexo masculino a assassinasse. Mesmo assim, ela diz para não culparem seus costumes ou sua religião.

Muitas críticas foram feitas, por conta do fato de que as próprias meninas não narram a história. São personalidades conhecidas (Selena Gomez, Chloe Grace Moretz, Anne Hathaway e etc) que as representam. Na minha opinião, o fato de colocarem pessoas americanas/ britânicas mexe um pouco com a representatividade mas é extremamente inteligente e até mesmo necessário. A ideia de que famosos mundo afora se preocupam com a situação dessas garotas – que, deixemos claro, são uma representação simbólica das condições vividas por crianças do sexo feminino no mundo inteiro – é, no mínimo, inspiradora. Se eles se preocupam, por que eu não irei?


Por fim, o Girl Rising deveria ser assistido por todos, desde jovens até idosos. Apesar de muitos afirmarem o contrário, para mim, o documentário terminou com um fio de esperança, que precisa ser desenrolado por nós. Nós, que somos privilegiados o suficiente para ter acesso à educação. Nós, que não valorizamos o conhecimento tal como deveríamos. Nós, humanos.

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