A capitã do Titanic

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(Imagem: via)

Às vezes, me sinto como uma capitã de navios. Levo pessoas a outros lugares e tudo naquele ambiente depende da minha atuação. É extraordinário poder me sentir tão importante. Nada no mundo pode me parar naquele momento, porque estou desbravando mares e expandindo horizontes. Nesses dias, me sinto confiante, insuperável, livre. Sou a capitã que resolveu tentar novos caminhos. Sou pioneira nesse novo oceano.

Há também vezes que sou passageira. Estou a bordo de outro navio e não preciso me responsabilizar por tudo. Descubro novas coisas? É claro, afinal cada passageiro que por ali passa também é uma nova história. Cada canto que exploro é um pedaço da embarcação que conheço. Deixo-me levar por esse outro capitão (ou capitã) e gosto do jeito que as coisas caminham. Entretanto, é preciso logo descer, porque posso ficar muito preso em uma ilusão e esquecer de cuidar dos meus aposentos.

Mas então, vêm aqueles dias onde me sinto como a capitã de um navio prestes a afundar. A embarcação me leva? Ou seria eu que a atraio para o fundo do mar? Ela quer descanso. Essa estrutura não consegue mais se sustentar. Ao afundar, sinto como se estivesse deixando meus sentimentos na superfície, prontos para que o vento os leve. Não mais desbravo mares, mas deixo que eles me puxem. Não quero sentir nada, porque já senti demais.


Somos todos embarcações, ao mesmo tempo que somos os capitães delas. Deixar outros nos guiarem é como ficar sempre no mesmo porto, sabendo que outros mares te esperam. Agora, com licença, é minha hora de embarcar.

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