Espera (que eu não estou voltando)

13:06

(Imagem: via)

Queria que soubesse de algumas coisas, mas não sou uma pessoa que fala, sou aquela que deixa seus pensamentos escorrerem por linhas de um papel. Parece mais seguro deixar o lápis falar por mim. Não dei um tempo de você ou de qualquer outra pessoa, dei um tempo de mim mesma. O mundo pode me esperar mais um pouco, mas eu sei que muitas pessoas não podem. Diria que é um problema contemporâneo - ninguém quer esperar o tempo de outro - mas, pra saber se isso acontece só nessa época, teria que ter vivido em outros invernos. Por causa do frio que habita nossos corações e nossas cabeças, todos queremos alguém, ou vários "alguéns", pra nos aquecer.

Ninguém parece entender que o amor machuca, entretanto é a única coisa que nos faz sentir vivos. E que é preciso que você espere. Queria que você esperasse assim como eu espero o próximo avião que sai para lugar nenhum, assim como você espera o sinaleiro fechar pra poder passar na rua que leva ao meu apartamento. Queria que esperasse, porque acredito que horas não são nada quando você passa por alguns verões escaldantes, algumas primaveras sem flores crescendo ao seu redor, invernos sem chocolate quente, outonos onde as únicas folhas que caem são aquelas únicas da árvore que plantei em seu jardim.

Hoje, estou naquele lugar nenhum, que agora tem nome, localização e o mais importante, histórias. Quando eu cheguei, achava que estava dando um tempo de mim mesma, mas descobri que esse tempo era para mim. Não tenho mais dúvida de que sou a personagem principal. Não da sua história, que deixei há tempos, mas da minha, que acabei de recomeçar. Que recomeço todos os dias. 

É, talvez quando eu te pedi pra esperar, foi pra que você esperasse as paredes esquecerem meu nome, as ruas apagarem minhas pegadas mas acima de tudo, que você esperasse porque eventualmente, eu me esvairia de sua mente.

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