Resenha: Olhai os lírios do campo

19:23

A minha experiência com "Olhai os lírios do campo" foi esplêndida. O romance é do autor Erico Verissimo, um cara fantástico e inteligentíssimo. 

O livro conta sobre a vida de Eugênio, menino pobre que a vida toda conviveu com gente rica - seus pais trabalhavam em escolas particulares ou sacrificavam de tudo, para dar o melhor do estudo para seus dois filhos homens - e que anseia o conforto, a nobreza, o nome, o respeito da sociedade, o sucesso na sua carreira como médico. 

A leitura no começo é de se estranhar, por ser em segunda pessoa (os famosos "tu fostes" "tu te lembras") que não é comum para nós, na maioria. Mas ao decorrer, vai ficando uma beleza. E como é contada na década da Guerra Fria, se vê muito daquela cultura, do preconceito racial, do trabalho braçal nas fábricas, os chapéus comuns e todos aqueles detalhes que particularmente, eu adoro. 

Você se sente dentro da história, como uma "segunda Olívia": a melhor amiga e amante de Eugênio. E é maravilhoso! 

Ah, Olívia... Mulher forte, e de certo modo, uma grande feminista. Veja só, não haviam mulheres na medicina naquela época e é claro que este foi o curso que ela escolheu! Não há como não se apaixonar por essas mulheres que lutaram contra os tabus da sociedade. 

É aquele romance que te faz sentir medo quando o personagem sente medo, raiva quando o personagem sente raiva, e por aí vai...

Não sei vocês, mas eu marco todas as quotes que gosto enquanto leio e, bom, no meu exemplar se encontra vááárias marcações! 

Recomendo a leitura, principalmente à nós, adolescentes, que precisamos da literatura brasileira ao fazermos provas e redações; além de a história ser envolvente e gostosa. 

"-Olha as estrelas e tem coragem. 
Eugênio segurou a mão da amiga e, sem tirar os olhos do céu, murmurou:
-Se tu soubesses o bem que me fazes. Eu tinha a impressão de que todo o estímulo havia desaparecido de minha vida. Eu me sentia uma "coisa"... Só via a meu redor caras indiferentes, pessoas que não me pareciam humanas... Se pudesse imaginar como isso dói[...] Às vezes - continuou ele - descubro dentro de mim forças de bondade, de pureza. São elas que me dão alguma esperança, que me dizem que nem tudo está perdido..."

"-Só foge da solidão quem tem medo dos próprios pensamentos, das próprias lembranças. 
-Talvez...
-Mas se tu soubesses como a solidão nos pode enriquecer..."

"-Então é porque tenho vivido e aprendi a ver.
-Tens apenas vinte e cinco anos...
-Conheci um homem que tinha sessenta e ainda não tinha aprendido a conhecer-se a si mesmo"

"Estive pensando muito na fúria cega com que os homens se atiram à caça do dinheiro. É essa a causa principal dos dramas, das injustiças, da incompreensão da nossa época. Eles esquece o que têm de mais humano e sacrificam o que a vida lhes oferece de melhor: as relações de criatura para criatura. De que serve construir arranha-céus se não há almas humanas para morar nelas? [...] E quando o amor ao dinheiro, ao sucesso nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu."

O post acima foi feito por Isadora Borges.

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