Documentário "Chega de Fiu Fiu"

21:28


Venho por meio desse post - e dessa linguagem formal sem nexo - divulgar uma campanha que se originou de um projeto. Um projeto que, na minha concepção, vai muito além do feminismo. É um projeto que até quem não se considera feminista concorda. Ou assim eu prefiro acreditar.
Mas antes de falar sobre ele, eu vou contar uma historinha. Espero que as mulheres se identifiquem com ela e que os homens aprendam com a mesma.

Olívia nunca fora de se importar com o que os outros achavam de seu estilo. Às vezes, apostava em um vestidinho floral, em outras, saía toda de preto. Não queria mostrar peitos e nem pernas, queria só se sentir confortável e estilosa, de acordo com seus próprios conceitos. Embora seu corpo estivesse nos padrões de beleza impostos pela sociedade, ela não se importava: tinha aquele corpo porque queria tê-lo, não porque tinham exigido dela. 

Morando em Goiânia, a capital do estado de Goiás, não gostava de carros. E muito menos de perder tempo. Preferia andar a pé ou com bicicleta. Eventualmente, arriscava-se no ônibus, mas a sua coisa favorita era olhar a cidade e suas construções. Pela janela de um veículo não tinha emoção. 

Ela trabalhava de publicitária em um setor nobre da cidade, mas morava em um bairro a 20 minutos dali, se fosse a pé, e é claro, sempre preferia ir desse modo. Mas aí as coisas começaram a mudar. E assim mudou Olívia.

Os homens tinham ficado mais atrevidos. Qualquer esquina era um "fiu-fiu", um comentário erótico sobre seu corpo, expressões não dignas de serem pronunciadas. Nunca. Nem mesmo em um texto. Cada vez as falas ficavam mais agressivas e cada vez mais, ela evitava andar a pé. O custo com transporte aumentou, mas o salário não. Mas, peraí, o do Márcio, seu colega também publicitário, não tinha aumentado? E ele nem tinha aumentado seu serviço...

Olívia começou a andar só com calça jeans e blusas sem decote. Um sapato fechado, cabelo preso em um chato rabo de cavalo e olhares sempre pra baixo. Mesmo assim, ainda ouviu os infelizes "fiu-fiu"s. Ela foi ficando cada vez mais triste. Olhar pros prédios não tinha mais a mesma magia, porque tinha que andar mais rápido pra chegar ao trabalho. Os veículos começaram a fazer mais sentido. E a nossa publicitária foi obrigada a comprar um carro. 

O trânsito a estressava. E muito. Mas era melhor do que ouvir aqueles absurdos. Seu guarda-roupa começou a ficar cada vez mais restrito. Menos decotes, mais blusas de gola alta. Shorts? Só se fosse pra ficar em casa.

E aí, um dia, em uma das poucas horas que se dedicava às próprias redes sociais, viu um projeto. Era o "Chega de Fiu Fiu".

Pois bem. Acho que não preciso explicar mais nada sobre o assédio nas ruas, não é mesmo? A história de Olívia já fala por si só. E por isso, queria convidar todas as minhas leitoras e também os leitores a apoiarem a campanha para o lançamento de um documentário. O documentário "Chega de Fiu Fiu". 

Mesmo que não puder contribuir, seria de muita ajuda a divulgação em redes sociais, ou até mesmo verbal. Vamos conscientizar todos do que anda acontecendo. Vamos mudar a ideologia de muitas pessoas de que "se a mulher não quer ser cantada, não sai de casa". Não posso prometer lugar no céu, mas no meu coração e no das fundadoras do projeto, a gente dá um jeitinho.

Procuro com o blog promover ideias que me interessam e que eu acredito que sejam de grande efeito pra melhorias no nosso país e no mundo. E essa certamente é uma ideia que vale a pena. E pras minhas leitoras-blogueiras, vamos ajudar a espalhar? Não precisa ser um post, só uma recomendação em uma rede social já é de imensa ajuda.

Para doar ou pra simplesmente saber sobre do que se trata:
Doação (Campanha Catarse para produção do documentário)
Página no Facebook (Acompanhe o desenvolvimento do "Chega de Fiu Fiu")
Site oficial (Denuncie o assédio que sofreu)

Talvez você se interesse por

0 comentários