Das cartas que nunca te escrevi

17:27


Querida melhor amiga de infância,

Não te escrevi aos 9, mas te escrevo aos 14, será que serve? Espero que sim. É engraçado como a gente só percebe as coisas depois que as perdemos, não é mesmo? Não quero mais esperar pra escrever.

A vida tem sido bem bipolar comigo. Um dia, parece que vamos explodir em arco-íris e unicórnios. Em outros, fico na constante indecisão se me mato ou se mato a todos ao meu redor. É, quem sabe não seja a vida que seja complicada, mas sim, eu.

É estranho falar isso, porque aos 9 anos, tudo o que nos preocupávamos eram as apresentações da escola e os aniversários dos colegas. Sinto falta, mas não falta o bastante para querer voltar. Sinto falta das sensações, mas estou feliz com o momento que estou vivendo. Parei de querer voltar atrás, sei que não conseguirei e perdi muito tempo remoendo o passado, esquecendo assim de viver o presente.

Queria, além de tudo, te agradecer por todos os momentos e sentimentos proporcionados nesses 11 anos de amizade. Nossas escolhas nos levaram aonde estamos hoje. Estou feliz com o caminho que segui. Espero que você esteja feliz também. Às vezes, precisamos olhar as coisas de uma nova perspectiva.

Te escrevi com o intuito de compensar as cartas não escritas no passado, mas acabou sendo uma reflexão. Desculpe por isso, mas o momento simplesmente veio.

Enfim, obrigada por tudo. Eu te amo.

Com amor e nostalgia,
Sua melhor amiga de infância.

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